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AOS MAGNÍFICOS, NOBILÍSSIMOS E CONSULTÍSSIMOS VARÕES, AOS SENHORES CONSULES E A TODO O SENADO DA ÍNCLITA REPÚBLICA DE GENEBRA, FRANCISCO TURRETTINI ROGA SAÚDE E TODA SORTE DE FELICIDADE.

TODAS AS VEZES que me vem à mente o estado desta República, em cujo leme Deus quis que Vossas Excelências se assentassem, ILUSTRES SENHORES, ocorrem-me tantos e tão grandes milagres de Deus, pelos quais ela se tornou célebre, que ninguém ousaria negar que o que outrora o divino Vate cantava sobre Jerusalém pode, com justiça, ser pregado sobre ela: Coisas gloriosas se dizem de ti, ó Cidade de Deus. É pequena, confesso, e quase nenhuma outra é menor entre os milhares de Judá, se considerarmos as conveniências da Natureza; contudo, é grande, e quase nenhuma outra é maior, se atendermos aos dons de Deus. Embora sejam inúmeros os benefícios que o Senhor, com mão generosa, derramou sobre ela até agora, e diariamente derrama; dois, porém, são extraordinários acima dos demais, os quais recomendam a sua dignidade: a Religião, da qual nada é mais sagrado, e a Liberdade, da qual nada é mais doce. Pois esta é como uma segunda Gósen, iluminada pelos raios do Sol da justiça, enquanto o Egito do mundo é coberto por trevas de erros mais que cimérias; uma segunda Zoar, pequena mas segura, na qual os piedosos encontram um asilo grato, enquanto o fogo fatal do juízo divino incendeia e devora muitas outras regiões do mundo; uma verdadeira Bete-Semes e Heliópolis, Casa e Cidade do Sol, onde não mais se cultiva aquele sol visível — o que se diz ter sido praticado aqui no paganismo por fama tão constante quanto unânime —, mas adora-se o divino Oriente do alto, Cristo o Senhor, que nos é Sol e Escudo: Sol de toda sorte de bênção, que afirma a glória da Religião; Escudo de proteção seguríssima, que oferece um baluarte invicto e inexpugnável à Liberdade. Este duplo e máximo ornamento de Genebra fornece o mais justo argumento para celebrarmos a admirável Providência de Deus para conosco. Pois quem não se espantaria de que, naqueles gravíssimos movimentos de quase toda a Europa, nos quais quase nenhuma região se viu isenta de guerra, e nenhuma deixou de sentir seus funestos efeitos, nós, todavia, até agora, quase sós neste canto da terra, gozando de dias de alcíon, tenhamos permanecido intactos e imunes?

Enquanto outros são forçados a ver, não sem sumo pesar de alma, campos devastados, cidades capturadas e saqueadas, aldeias incendiadas, províncias destruídas e as demais coisas lamentáveis, terríveis de ver e imensas que a guerra traz consigo, e, arrancados de suas sedes pátrias, vagam miseravelmente como exilados e errantes; nós, debaixo da nossa videira e da nossa figueira, comemos tranquilamente o nosso pão e desfrutamos de uma paz profunda? Seríamos certamente os mais ingratos dos mortais se não interpretássemos esta liberdade e paz como um mero benefício de Deus, que vigia pela nossa salvação. Somente Ele nos proporcionou e proporciona estes ócios; somente Aquele que outrora foi o Autor de tão grande dom quis ser, sucessivamente, seu Estabelecedor e Conservador. Pois quem mais poderia, contra toda a expectativa humana, desmascarar as tramas de tantas conjurações e traições? Quem mais poderia repelir e tornar inúteis tantas incursões e maquinações feitas com ousadia nefanda? Aqueles que se deleitam em hieróglifos para descrever a Providência que tudo sustenta, costumam descrever engenhosamente uma Cidade apoiada em nenhum suporte, pendente no meio do ar, sustentada por um grande braço estendido do céu. Nossa Genebra não é, de modo figurado e emblemático, mas verdadeiramente, aquela Cidade que é sustentada apenas pela mão de Deus, e não por meios ou auxílios humanos: Não por exército, nem por força, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor. Contudo, deve-se considerar muito maior e mais ilustre aquele outro benefício, que é o fundamento principal da Proteção divina, sob cuja sombra repousamos seguros até agora: a saber, a Verdade celestial e o depósito da Religião mais pura, com cujo dom inestimável Deus quis nos abençoar, pela qual, profligada a tirania do Anticristo romano, triunfado o Erro, afugentada a Superstição, destruídos os Ídolos e dissipadas as Trevas, aquela luz salutar, que Post Tenebras (depois das trevas) já outrora se esperava, nasceu felizmente para aqueles que jaziam nas trevas da sombra da morte. Bem-aventuradas colinas, que Deus amou a tal ponto que nelas colocou o Candeeiro de ouro da Verdade, do qual os raios da luz divina, difundidos por toda parte, iluminaram grande parte do Mundo Reformado! Feliz Cidade e Igreja, que Cristo dignou-se com tamanha honra, que a consagrou como domicílio em sua Cidadela, sede do Evangelho e santuário do seu Nome; a qual, embora odiada pelo mundo, sinta o furor e a raiva do Diabo e do Anticristo cada vez mais incitados contra si, contudo, amada por Deus e cara como a menina dos olhos, esconde-se suavemente sob a sombra de suas asas, não apenas alegrando-se com seus próprios bens, mas também repartindo-os graciosamente com muitos outros, razão pela qual mereceu ser chamada de Mãe ou Nutriz daquelas que professam dever seus berços ou incrementos, depois de Deus, a esta nossa cidade! Mas é bem-aventurada sobretudo por este nome: que, pelo admirável privilégio da Reforma, goze sempre do favor singular de Deus e tenha guardado ileso até hoje o preciosíssimo keimelion (tesouro) da Religião que lhe foi confiado! Esta é a nossa glória, esta é a nossa coroa, pela qual superamos muitos outros povos da terra a quem Ele negou graça semelhante, e somos distinguidos com o glorioso nome de Povo Particular de Deus e de Sagrada Sião.

Visto que nada nos deve ser mais caro do que a custódia constante e fiel de tão grande benefício, juntamente com a grata comemoração dele para com Deus, seu doador: este foi, ILUSTRES SENHORES, o esforço incansável de vossos piedosos antepassados, que, como excelentes Nutrizes da Igreja, tiveram sempre entre suas primeiras preocupações agir vigorosamente pela causa da Religião tanto quanto pela da Liberdade, para que aquela fosse mantida pura e livre de todo contágio de erros; julgando sapientissimamente que ela não é tanto o Palladium de que Troia, ou o Ancile caído do céu de que Roma outrora se gloriava, mas a Arca da aliança, penhor indubitável da presença de Deus, da retenção e conservação da qual dependem igualmente a segurança e a felicidade tanto da República quanto da Igreja. Seria longo enumerar por quais prodígios de erros aquele terrível inimigo do gênero humano, no século passado, tentou repetidamente obscurecer e extinguir a luz do Evangelho que renascia; não apenas por meio dos inimigos jurados da Reforma, que se esforçavam por atraí-la de volta ao antigo jugo da servidão anticristã; mas também por Sinons astutos que, agindo em seu seio, sob o pretexto plausível mas falso de fomentar e ilustrar a Religião, tentaram introduzir na doutrina as sordes de opiniões letais, das quais, com admirável felicidade e pela vigilância de vossos antepassados, o Senhor a livrou. Vossos Anais testemunham com quantas e quão grandes máquinas a obra divina da Reforma foi atacada quase desde os seus primeiros berços; por quantos furores de homens profanos e facciosos a santa disciplina de costumes foi combatida, e quantas vezes a pureza da verdade evangélica foi tentada: ora pela multidão fanática dos Anabatistas, que em 1536, logo após a aceitação da Reforma, causaram distúrbios aqui; depois pelas artes fraudulentas e calúnias injustíssimas de Pierre Caroli, sofista impudente, mais mutável que Proteu; logo pelas corrupções letais da Palavra de Deus e da Doutrina Ortodoxa de Sebastião Castellio, precursor dos semipelagianos hodiernos; pelas péssimas tramas de Gruet, homem faccioso, que fundia o samesatenianismo com o maniqueísmo na mesma mistura de erros. A seguir, no ano de 1551, pela impiedade de Jerônimo Bolsec, que se esforçava por corromper a santa doutrina da Predestinação e da Graça salutar com o veneno pelagiano; e finalmente pelas horrendas blasfêmias de Miguel Serveto sobre o adorável mistério da Santíssima Trindade, o qual não era um homem, mas um monstro feito para toda improbidade; enquanto este homem perdidíssimo não cessava de vomitá-las para espalhar no vulgo o seu veneno pestilentíssimo, que já espalhara largamente por muitos anos em lugares célebres da Europa, foi por fim lançado no cárcere e, perseverando em sua obstinação diabólica, sofreu em 1553 as justíssimas penas por sua execrável impiedade. Todavia, Satanás, tantas vezes vencido, não deixou de renovar a luta e de suscitar sucessivamente novos mestres da impiedade, tais como foram Valentino Gentilis, Paulo Alciatus e outros discípulos do mesmo grupo do impuro Serveto, que no ano de 1558 uniram o erro dos triteístas ao samesatenianismo e ao arianismo, isto é, monstros a monstros. A autoridade de vossos antecessores os reprimiu com força e os afugentou com sucesso, de modo que sempre se provaram, com grande louvor, como defensores vigorosos e corajosos da causa piedosa, elogio honroso que o sumo Homem de Deus, Calvino, outrora lhes atribuiu.

Que esta seja também a vossa principal solicitude, PAIS DA PÁTRIA Vigilantíssimos, vosso zelo e piedade não nos permitem duvidar. Pois vos lembrais de que o Trono deve ser firmado pela piedade e justiça, segundo o oráculo do mais sábio dos Reis, e que vosso governo jamais poderá ser feliz e bem ordenado, a menos que cuideis para que a Palavra de Deus mantenha sempre sua autoridade entre vós, e para que o próprio Cristo reine por meio de vós; para que aqui não haja tanto uma Aristocracia, mas uma espécie de Teocracia, que tenha sempre Deus como Presidente e Reitor. Nem julgais que se possa consultar melhor a salvação da República, que deve ser sempre a lei suprema, do que protegendo estes dois baluartes invictos: o culto da pura Religião e o cuidado piedoso de fomentar a Igreja, que Deus confiou à proteção de vossas asas. O que até agora foi por vós realizado de tal modo que não apenas a Religião permaneceu aqui, por benefício singular de Deus, imaculada de toda mancha de erro e superstição; mas, além disso, nada foi alterado na doutrina mais pura aqui outrora recebida, a qual sancionastes que fosse sempre religiosamente mantida. Continuai, SENHORES, constantemente neste santo propósito, e fazei com vossa piedosa e incansável vigilância que tão grandes bens nos sejam perpétuos; para que, sob vossos auspícios, esta República seja sempre próspera e florescente em piedade até os netos mais tardios. O que certamente podeis esperar de Deus, que prometeu ser fiel guardião daquelas Cidades que fossem sedes da Verdade e hospital dos Piedosos; enquanto fordes solícitos em cultivá-lo e retê-lo religiosamente, e em promover a sua glória acima de todas as coisas; enquanto cuidardes para que entre vossos Cidadãos vigorem a Piedade e a Justiça, o amor à Religião e à Pátria, a Caridade e a santa Concórdia de ânimos, e os vícios, que brotam excessivamente neste século corruptíssimo mesmo na Igreja, sejam severamente reprimidos; enquanto, pelo vosso empenho, esta Cidade, respondendo ao seu nome, for verdadeiramente chamada Reformada, tanto quanto à honestidade de costumes quanto à pureza de doutrina; e para dizer tudo em uma palavra, Cidade de Deus e verdadeira Hephzibah, na qual esteja o beneplácito de Deus.

Visto que, contudo, este cuidado não diz respeito apenas aos Governantes da República e aos Homens Principais, mas toca mais de perto aqueles que servem ao Sagrado, os quais o sumo Árbitro das coisas utiliza para a sua obra; não podemos admirar suficientemente o seu providente cuidado para conosco, pois assim como quis escolher para si aqui a sede da Verdade, assim nunca faltou à sua Obra, enviando operários fiéis e vigorosos para a sua seara, os quais, dotados de dons exímios, iniciaram intrepidamente a divina obra de purificação da Religião, e promoveram e aperfeiçoaram o que fora iniciado. Ninguém ignora o quanto Genebra deve aos trabalhos dos insignes servos de Deus Guilherme Farel e Pedro Viret, de quem Deus quis se utilizar para lançar os fundamentos da Reforma: mas especialmente ao zelo ferventíssimo e à diligência incansável do máximo e nunca suficientemente louvado Teólogo João Calvino, a quem Deus, maravilhosamente instruído com espírito heroico, juízo apuradíssimo e profunda erudição, designou para a sua obra em Genebra em tempos dificílimos, quando ele pensava em tudo menos nisso; e cuja obra Ele quis que fosse felizmente empregada para sancionar a doutrina mais pura e a disciplina de costumes, não sem grandes combates. Insistindo nos vestígios destes homens, aqueles que depois deles seguraram a tocha, propuseram sempre para si, acima de tudo, que, rejeitadas as ethelothreskeias (vontade de culto), as kainophonias (novidades de palavras) e as heterodidaskalias (ensino de outras doutrinas) que o Apóstolo ordena que fiquem longe, guardassem religiosamente também imaculada aquela santíssima parakatatheken (depósito) que haviam recebido imaculada dos Antepassados, e a transmitissem aos sucessores. Visto que pela graça de Deus desfrutamos ainda hoje deste benefício singular, não poderíamos escapar da culpa de um gravíssimo crime se permitíssemos que esta glória e coroa nos fossem arrebatadas, e se todos os que sucedem nos trabalhos de tão grandes Homens não fossem solícitos em seguir fielmente os seus vestígios. Eu, por certo, para dizer algo sobre mim; desde que Deus quis me elevar, pelo vosso favor singular, à honrosa posição em que já me encontro há cerca de trinta anos, embora sempre me tenha sentido muito desigual a tão grande fardo, e a consciência da minha pequenez facilmente me convença do quanto estou longe daqueles grandes Homens que aqui nos precederam; todavia, posso testemunhar santamente diante de Deus que nenhum outro alvo me foi proposto senão o de seguir sempre os que me precederam, não no mesmo passo, mas no mesmo caminho, e de calcar virilmente as grandes pegadas, embora não com passos iguais. Nem acreditei poder adornar melhor a missão que recebi, e satisfazer à consciência do juramento a que fui obrigado no múnus que me foi confiado, do que se me esforçasse unicamente para que a Juventude a nós confiada fosse imbuída da Teologia mais pura, e da doutrina sóbria e sólida que aqui sempre obteve. Para o que, espontaneamente propenso, fui também impelido pelo exemplo doméstico de dois fiéis servos de Cristo a mim unidos pelo sangue; refiro-me ao grande Teólogo João Diodati, meu tio materno, cujo nome celebérrimo em todo o mundo, louvadíssimo e digno de memória perene, sua obra sobre a Sagrada Escritura, para não dizer outra coisa, mostra o Homem que foi: e Benedito Turrettini, meu dulcíssimo pai, de bendita e saudosíssima memória, de quem, arrebatado por morte prematura e lamentabilíssima, tanto a fama, mesmo que eu me cale, fala, quanto os seus escritos testemunham ter alcançado o louvor de um teólogo acurado e sólido. Por estes, cada vez mais incitado ao dever, considerei que este era o meu único objetivo: que, deixadas de lado as questões vãs e inúteis que alimentam a curiosidade mas não edificam a fé, eu compusesse todas as minhas coisas segundo a sagrada Estrela-guia da Palavra, e oferecesse à Juventude consagrada a Deus o logikon adolon gala (leite espiritual não adulterado), pelo qual pudesse progredir diariamente na verdade que é segundo a piedade, e preparar-se para a obra do ministério. A isso visa este Escrito, cuja primeira parte vem à luz, o qual, destinado primeiramente aos usos privados de nossos Recrutas e delineado com pincel rudimentar, sou de algum modo forçado, mais do que conduzido espontaneamente, a tornar público, para satisfazer aos frequentes e reiterados rogos daqueles que pensaram que dali adviria algum proveito aos Ministros Sagrados para uma mais fácil explicação das Controvérsias que temos com os Adversários. Se a esperança deles deve ser confirmada, o evento a seu tempo, com o bom Deus, nos ensinará.

Entretanto, decidi oferecer e dedicar esta obra, seja ela qual for, ILUSTRES VARÕES, com toda a submissão possível. Pois, embora tenha hesitado bastante se deveria aproximar-me de Vossas Excelências com este presente de pouco valor, e não faltassem várias razões que poderiam deter-me do propósito: contudo, a convicção de vossa benignidade e a razão do meu dever fizeram com que, afastado todo medo, não duvidasse em escrever Vossos esplêndidos Nomes à frente desta minha Obra, para que, sob vossos auspícios, ela saísse a público mais feliz e seguramente. Convencido de que não vos será ingrato o argumento que contém a defesa da doutrina salutar, da qual nada pode ser em si mais sublime, e nada nos deve ser mais caro; nem negareis vosso patrocínio a este pequeno trabalho, que não visa outra coisa senão afirmar a causa de Deus e a Verdade celestial, da qual Ele quis que fôsseis defensores, contra os vãos comentários dos homens. Acresce que nada era mais justo do que tornar vossos estes frutos, embora tênues, dos meus estudos, os quais já eram vossos por direito próprio, como que nascidos e cultivados em vosso solo; para que eu provasse a Vossas Excelências, se não a minha erudição, ao menos a minha fidelidade no desempenho do múnus a mim confiado. Nem aquela singular benevolência que toda a nossa família sempre experimentou de vossa parte permitia que eu olhasse para outro lado sem o crime de ingratidão, desde que o piíssimo e íntegro varão Francisco Turrettini, meu avô de bendita memória, há cerca de cem anos, vindo da cidade de Lucca, deixadas todas as doçuras e conveniências de sua pátria, para aqui se retirou, impelido pelo santo zelo de professar a Religião mais pura; onde, sob a proteção do Amplíssimo Senado, fixou residência com os seus, gozando do usufruto da desejadíssima luz evangélica, com muitos parentes e afins da nação italiana, e outros homens piedosos que o amor da Verdade e o bom perfume de Cristo para cá trouxera; onde, desde o ano de 1552, a Igreja Italiana foi constituída pelo empenho de João Calvino, sob a proteção e autoridade do Magistrado Cristão, a qual ainda hoje, por singular graça de Deus, é conservada sob vosso patrocínio. A memória deste benefício, assim como ficará eternamente fixada em nossos ânimos, assim exige que seja proclamada diante de todos com testemunho de gratidão. E tanto mais porque, desde então, não deixastes de dar provas não obscuras do mesmo favor, especialmente para comigo, a quem cumulastes com mais de um gênero de honra; não apenas confiando-me, além de todo o meu mérito, o sagrado múnus que exerço tanto na Igreja quanto na Academia, mas também acolhendo-me sempre benignamente e aprovando meus parcos esforços a ponto de, tendo sido convidado mais de uma vez para outro lugar — embora eu nada menos pensasse do que mudar de sede, e maxime há alguns anos, tendo sido honrosamente chamado pelos Celsíssimos e Prepotentes Estados tanto da Bélgica Federada quanto da Holanda para a Profissão Teológica no Florentíssimo Ateneu de Leiden —, quisestes reter-me aqui com benevolente afeto para comigo. Por esse fato, de tal modo obrigastes ainda mais a minha fidelidade e obediência já dedicadas a vós, que eu seria justamente considerado um mau devedor se, não podendo saldar a dívida, ao menos não a confessasse ingenuamente; nem cuidasse para que existisse sempre algum monumento constante da minha observância e gratidão para convosco. Recebei, portanto, com fronte serena, ILUSTRES SENHORES, este pequeno penhor, não de pequena mas de devotíssima obediência, e de meu propensíssimo zelo para com esta vossa sede da luz evangélica; e continuai a favorecer aquele que, assim como reconhece de bom grado que já vos deve muitíssimo, assim professa e promete que será perpetuamente todo vosso em culto e obediência. No que resta, suplico a Deus Ótimo Máximo, por quem os Reis reinam, que assista sempre propício a VOSSAS EXCELÊNCIAS; que preserve incolumes a República para vós e vós para a República por longuíssimo tempo, e vos cumule com todo gênero de bênçãos, governando-vos sempre com o seu Espírito verdadeiramente hegemoniko (orientador) de sabedoria e fortaleza, de piedade e justiça, de modo que todos os vossos conselhos redundem na glória de seu Santíssimo Nome, na conveniência da República e na felicidade da Igreja. AMÉM. Dado em Genebra, no dia 10 de fevereiro, no Ano da Economia de 1679.