Capítulo 10: Do Chamado Eficaz¶
SEÇÃO 1:¶
Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e somente esses, é ele servido, no seu tempo determinado e aceito, chamar eficazmente, (1) pela sua Palavra e Espírito, (2) tirando-os daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, para a graça e a salvação por Jesus Cristo; (3) iluminando os seus entendimentos espiritual e salvadoramente, a fim de compreenderem as coisas de Deus; (4) tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne; (5) renovando as suas vontades e, pelo seu onipotente poder, determinando-as para aquilo que é bom, (6) e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo; (7) de tal maneira, porém, que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça. (8)
Provas Escriturísticas
(1) At. 13:48; Rm. 4:28, 30; 11:7; Ef. 1:5, 11; 2 Tm. 1:9-10 (2) 2 Ts. 2:13-14; Tg. 1:18; 2 Co. 3:3, 6; 1 Co. 2:12 (3) 2 Tm. 1:9-10; 1 Pe. 2:9; Rm. 8:2; Ef. 2:1-10 (4) At. 26:18; 1 Co. 2:10, 12; Ef. 1:17-18; 2 Co. 4:6 (5) Ez. 36:26 (6) Ez. 11:19; 36:27; Dt. 30:6; Jo. 3:5; Tt. 3:5; 1 Pe. 1:23 (7) Jo. 6:44-45; At. 16:14 (8) Sl. 110:3; Jo. 6:37; Mt. 11:28; Ap. 22:17; Rm. 6:16-18; Ef. 2:8; Fp. 1:29
SEÇÃO 2:¶
Este chamado eficaz é somente da livre e especial graça de Deus, e não de qualquer coisa prevista no homem, (9) o qual é nisto inteiramente passivo, até que, sendo vivificado e renovado pelo Espírito Santo, (10) é capacitado a responder a este chamado e a abraçar a graça nele oferecida e comunicada. (11)
Provas Escriturísticas
(9) 2 Tm. 1:9; Ef. 2:8-9; Rm. 9:11 (10) 1 Co. 2:14; Rm. 8:7-9; Tt. 3:4-5 (11) Jo. 6:37; Ez. 36:27; 1 Jo. 3:9; 5:1
EXISTE um chamado externo da Palavra de Deus, estendido a todos os homens a quem o evangelho é pregado, o qual é considerado na quarta seção deste capítulo. A primeira e a segunda seções tratam do chamado interno eficaz do Espírito de Deus, que opera a regeneração e que é experimentado apenas pelos eleitos. Sobre este chamado interno, afirma-se:
1.¶
Que existe tal chamado interno e que ele é necessário para a salvação.
2.¶
Quanto aos seus sujeitos, que eles abrangem todos os eleitos, e somente os eleitos.
3.¶
Quanto ao seu agente — (1) Que o único agente dele é o Espírito Santo, que utiliza (2) A verdade revelada do evangelho como seu instrumento; (3) Que os seus sujeitos, embora tenham resistido livremente a todas as influências comuns do Espírito Santo que experimentaram antes da regeneração, são inteiramente passivos em relação àquele ato especial do Espírito pelo qual são regenerados; não obstante, em consequência da mudança operada neles na regeneração, eles obedecem ao chamado e, subsequentemente, cooperam mais ou menos perfeitamente com a graça.
4.¶
Quanto à sua natureza, ensina-se que é um exercício do poder onipotente e eficaz do Espírito Santo agindo imediatamente sobre a alma do sujeito, determinando-o e atraindo-o eficazmente, mas de uma maneira perfeitamente congruente com a sua natureza, de modo que ele vem mui livremente, sendo feito disposto.
5.¶
Quanto ao seu efeito, ensina-se que ele opera uma mudança radical e permanente em toda a natureza moral do sujeito, iluminando espiritualmente a sua mente, santificando as suas afeições, renovando a sua vontade e dando uma nova direção às suas ações.
- Que existe tal chamado interno do Espírito, distinto do chamado externo da Palavra, e que ele é necessário para a salvação, prova-se — (1) Pelo que as Escrituras ensinam a respeito do estado do homem por natureza como um estado de morte espiritual, cegueira, insensibilidade e absoluta incapacidade em relação a toda ação espiritualmente boa, como foi suficientemente demonstrado no capítulo ix., seção 8. (2) As Escrituras distinguem entre a influência do Espírito e a da Palavra sozinha. 1 Co. ii. 14, 15; iii. 6; 1 Ts. i. 5, 6. (3) Uma influência espiritual é declarada necessária para dispor e capacitar os homens a receberem a verdade. Jo. vi. 45; At. xvi. 14; Ef. i. 17. (4) Tudo o que há de bom no homem é referido a Deus como seu autor. Ef. ii. 8; Fp. ii. 13; 2 Tm. ii. 25; Hb. xiii. 21. (5) A operação do Espírito sobre os corações dos regenerados é representada como muito mais direta, poderosa e eficiente do que a mera influência moral da verdade sobre o entendimento e as afeições. Ef. i. 19; iii. 7. (6) O resultado efetuado na regeneração é diferente de um efeito próprio da simples verdade. É um "novo nascimento", uma "nova criação", etc. Jo. iii. 3, 7; Ef. iv. 24. (7) As Escrituras distinguem explicitamente entre os dois chamados. Dos sujeitos de um, diz-se: "Muitos são chamados, mas poucos escolhidos". Mt. xxii. 14. Dos sujeitos do outro, diz-se: "Aos que chamou, a esses também justificou". Rm. viii. 30. Comp. Pv. i. 24 e Jo. vi. 45.
Todos estes argumentos conspiram para provar que esta influência espiritual é essencial para a salvação. O que quer que seja a condição necessária da regeneração é a condição necessária da salvação, porque "se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Jo. iii. 3.
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Que este chamado espiritual abrange todos os eleitos, e somente os eleitos, prova-se — (1) Pelo que já foi provado, (a) Capítulo iii. seções 3–5, que Deus determinou desde a eternidade, de forma definitiva e imutável, quem será salvo; e (b) Capítulo iii., seção 6, que Deus, tendo "destinado os eleitos para a glória, assim também, pelo eterno e mui livre propósito da sua vontade, preordenou todos os meios para isso". Sendo o chamado eficaz o salvamento real de uma alma da morte do pecado pelo poder de Deus, é óbvio que ele deve ser aplicado a todos os que hão de ser salvos, e que não pode ser aplicado a nenhum que não há de ser salvo. (2) O mesmo se prova pelo fato de as Escrituras representarem os "chamados" como os "eleitos", e os "eleitos" como os "chamados". Rm. viii. 28, 30. Aqueles que estão com Cristo no céu são "chamados, eleitos e fiéis". Ap. xvii. 14. (3) As Escrituras, além disso, declaram que o "chamado" baseia-se na "eleição": "que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos". 2 Tm. i. 9; 2 Ts. ii. 13, 14; Rm. xi. 7.
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Que o único agente neste chamado eficaz é o Espírito Santo; que ele usa a verdade do Evangelho como seu instrumento; e que, embora todos os pecadores sejam ativos na resistência às influências comuns da graça antes da regeneração, e todos os crentes na cooperação com a graça santificadora após a regeneração, no entanto, cada alma recém-criada é passiva em relação àquele ato divino do Espírito Santo pelo qual é regenerada, tudo isso pode ser provado sob os seguintes tópicos distintos: — (1) Existem certas influências do Espírito na vida presente que se estendem a todos os homens em maior ou menor grau; que tendem a refrear ou a persuadir a alma; que são exercidas no sentido de aumentar o efeito moral natural da verdade sobre o entendimento, o coração e a consciência. Elas não envolvem mudança de princípio e disposição permanente, mas apenas um aumento das emoções naturais do coração diante do pecado, do dever e do interesse próprio. Estas influências, naturalmente, podem ser resistidas, e são habitualmente resistidas pelos não regenerados. O fato de que tais influências resistíveis são experimentadas pelos homens é provado — (a) Pelo fato de que as Escrituras afirmam que elas são resistidas. Gn. vi. 3; Hb. x. 29. (b) Todo cristão tem consciência de que, antes da sua conversão, foi sujeito a influências que o impressionaram com pensamentos sérios, convencendo-o do pecado, tendendo a atraí-lo à obediência de Cristo, as quais ele, no momento, resistiu. Observamos o mesmo ser verdade em relação a muitos homens que nunca são verdadeiramente convertidos.
(2) A distinção entre regeneração e conversão é óbvia e necessária. No capítulo ix. vimos que os atos voluntários da alma humana são determinados por, e derivam o seu caráter de, as afeições e desejos que os motivam; e que estas afeições e desejos derivam o seu caráter do estado moral permanente da alma em que surgem. No não regenerado, este estado moral permanente e disposição da alma é mau e, portanto, a ação é má. A ação positivamente santa é impossível, exceto como consequência de uma disposição positivamente santa. A infusão de tal disposição deve, portanto, preceder qualquer ato de verdadeira obediência espiritual. O chamado eficaz, de acordo com o uso dos nossos Padrões, é o ato do Espírito Santo que efetua a regeneração. A regeneração é o efeito produzido pelo Espírito Santo no chamado eficaz. O Espírito Santo, no ato do chamado eficaz, faz com que a alma se torne regenerada ao implantar um novo princípio governante ou hábito de afeição e ação espiritual. A própria alma, na conversão, age imediatamente sob a orientação deste novo princípio ao desviar-se do pecado para Deus através de Cristo. É evidente que a implantação do princípio gracioso é diferente do exercício desse princípio, e que o ato de tornar um homem disposto é diferente do seu agir voluntariamente. O primeiro é o ato exclusivo de Deus; o segundo é o ato consequente do homem, dependente da assistência contínua do Espírito Santo.
Que Deus é o único agente no ato que efetua a regeneração é claro — (a) Pela natureza do caso, como mostrado acima. O tornar disposto um homem indisposto não pode ter a cooperação do homem enquanto este estiver indisposto. (b) Pelo que foi provado no capítulo ix., seção 3, quanto à absoluta incapacidade do homem em relação às coisas espirituais. (c) Pelo que as Escrituras dizem quanto à natureza da mudança. Chamam-na de "um novo nascimento", "um gerar", "um vivificar", "uma nova criação". "Deus gera, o Espírito vivifica"; "Somos nascidos de novo", "Somos feitura de Deus". Jo. iii. 3, 5–7; 1 Jo. v. 18; Ef. ii. 1, 5, 10. Veja também Ez. xi. 19; Sl. li. 10; Ef. iv. 23; Hb. viii. 10. Que, após a regeneração, a alma recém-nascida imediatamente começa e sempre continua, mais ou menos perfeitamente, a cooperar com a graça santificadora, é evidente por si mesmo. Fé, arrependimento, amor, boas obras, são todos eles, ao mesmo tempo, "frutos do Espírito" e ações livres dos homens. Estamos continuamente conscientes, além disso, de que estamos sujeitos a influências divinas, que estamos ou resistindo ou obedecendo, e que somos livres para resistir ou obedecer conforme nos agrada, enquanto que, pela graça, prevalentemente nos agrada obedecer.
(3) Que o Espírito Santo usa a "verdade" como seu instrumento no chamado eficaz é claro — (a) Porque ele nunca age desta maneira onde o conhecimento da verdade está inteiramente ausente; (b) Porque as Escrituras afirmam que somos gerados pela verdade, santificados pela verdade, crescemos por ela, etc. Jo. xvii. 19; Tg. i. 18; 1 Pe. ii. 2.
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Que esta ação divina é, em sua natureza, ao mesmo tempo onipotente e certamente eficaz, e contudo perfeitamente congruente com a natureza racional e voluntária do homem, segue-se certamente do fato de ser o ato do Deus infinitamente sábio e todo-poderoso na execução dos seus decretos auticonsistentes e imutáveis. O que Deus faz diretamente para cumprir os seus próprios propósitos imutáveis deve ser certamente eficaz e poderoso. Ef. i. 18, 19. Além disso, a própria coisa feita é tornar-nos dispostos, operar em nós a fé; e isso está indubitavelmente ligado à salvação. Fp. ii. 13. Que é eficaz também é afirmado. Ef. iii. 7, 20; iv. 16.
Que esta influência divina é perfeitamente congruente com a nossa natureza é claro — (1) Pelo fato de ser a influência de um Criador onisciente sobre a obra da sua própria mão. Não é concebível que Deus seja incapaz ou indisposto a controlar as ações das suas criaturas de uma maneira perfeitamente consistente com a natureza delas. (2) A influência que ele exerce é chamada na Escritura de "um atrair", "um ensinar", "um iluminar", etc. Jo. vi. 44, 45; Ef. i. 18. (3) Por natureza, a mente está obscurecida, as afeições pervertidas e a vontade escravizada pelo pecado. A regeneração restaura estas faculdades à sua condição adequada. Não pode ser inconsistente com uma natureza racional deixar entrar a luz, nem com um livre-arbítrio libertá-lo da escravidão. "Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade". 2 Co. iii. 17; Fp. ii. 13; Sl. cx. 3. Todo homem regenerado tem consciência de — (a) Que nenhuma coação foi imposta ao movimento espontâneo das suas faculdades; e (b) Que, por outro lado, nenhuma das suas faculdades agiu antes tão livremente e em conformidade com a lei da sua natureza.
- Que esta mudança é radical prova-se pelo fato de que, como mostrado acima, ela consiste na implantação de um novo princípio governante de vida; pelo fato de ser um "novo nascimento", uma "nova criação", operada pelo poder onipotente de Deus em execução do seu propósito eterno de salvação; e que ela é tão necessária para o mais moral e amável quanto para o moralmente abandonado.
Que esta mudança é permanente será mostrado no capítulo xvii., sobre a Perseverança dos Santos.
Que ela afeta o homem inteiro — intelecto, afeições e vontade — é evidente — (1) Pela unidade essencial da alma. É o "Eu" único e indivisível que pensa, sente e quer. Se o estado moral permanente da alma é corrupto, todas as suas funções devem estar pervertidas. Não podemos ter desejo por um objeto a menos que percebamos a sua beleza; nem podemos perceber intelectualmente a beleza daquilo que é totalmente incompatível com os nossos gostos e disposições inerentes. (2) As Escrituras afirmam expressamente que o pecado é essencialmente enganador, que a depravação inata envolve cegueira moral e que o homem natural não pode receber as coisas que se discernem espiritualmente. 1 Co. ii. 14; 2 Co. iv. 4; Jo. xvi. 3. (3) As Escrituras afirmam expressamente que todos os "nascidos de novo" são sujeitos de uma iluminação espiritual do entendimento, bem como da renovação das afeições. Jo. xvii. 3; 1 Co. ii. 12, 13; 2 Co. iv. 6; Ef. i. 18; 1 Jo. iv. 7; v. 20. (4) Na Bíblia, a frase "dar um novo coração" é equivalente a efetuar a regeneração; e o termo "coração" é caracteristicamente usado para todo o homem interior — intelecto, afeições e vontade. Observe frases como "conselhos do coração", 1 Co. iv. 5; "imaginações do coração", Lc. i. 51; "pensamentos e intenções do coração", Hb. iv. 12.
SEÇÃO 3:¶
Os infantes eleitos, morrendo na infância, são regenerados e salvos por Cristo, através do Espírito, (12) que opera quando, onde e como lhe agrada; (13) do mesmo modo o são todas as outras pessoas eleitas que são incapazes de ser chamadas exteriormente pelo ministério da Palavra. (14)
Provas Escriturísticas
(12) Gn. 17:7; Lc. 1:15; 18:15-16; At. 2:39; Jo. 3:3, 5; 1 Jo. 5:12 (13) Jo. 3:8 (14) Jo. 16:7-8; 1 Jo. 5:12; At. 4:12
O chamado externo da Palavra de Deus e todos os "meios de graça" providos na presente dispensação pressupõem, naturalmente, inteligência por parte daqueles que os recebem. A vontade de Deus, também, é revelada apenas na medida em que diz respeito àqueles capazes de compreender e lucrar com a revelação. Seus propósitos em relação a pessoas ou classes não abordadas desta forma não são explicitamente revelados.
Se infantes e outros não capazes de serem chamados pelo evangelho hão de ser salvos, eles devem ser regenerados e santificados imediatamente por Deus, sem o uso de meios. Se Deus pôde criar Adão santo sem meios, e se ele pode criar de novo os crentes em justiça e verdadeira santidade pelo uso de meios que uma grande parte dos homens usa sem proveito, ele certamente pode regenerar infantes e outros sem meios. De fato, a depravação natural dos infantes reside antes da ação moral, na privação judicial do Espírito Santo. O mal é retificado nesse estágio, portanto, pela restauração graciosa da alma à sua relação moral com o Espírito de Deus. A frase "infantes eleitos" é precisa e adequada ao seu propósito. Não se pretende sugerir que existam infantes não eleitos, mas simplesmente apontar os fatos - (1) Que todos os infantes nascem sob condenação justa; e (2) Que nenhum infante tem qualquer reivindicação em si mesmo à salvação; e, portanto, (3) A salvação de cada infante, exatamente como a salvação de cada adulto, deve ter o seu fundamento absoluto na eleição soberana de Deus. Isso seria tão verdadeiro se todos os adultos fossem eleitos, como é agora que apenas alguns adultos são eleitos. É, portanto, igualmente verdadeiro, embora tenhamos boas razões para crer que todos os infantes são eleitos. A Confissão adere neste ponto com precisão aos fatos revelados. É certamente revelado que ninguém, seja adulto ou infante, é salvo exceto com base em uma eleição soberana; isto é, toda salvação para a raça humana é pura graça. Não é positivamente revelado que todos os infantes são eleitos, mas somos deixados, por muitas razões, a acalentar uma esperança altamente provável de que tal seja o fato. A Confissão afirma o que é certamente revelado e deixa o que a revelação não decidiu permanecer, sem a sugestão de uma opinião positiva de um lado ou de outro.
SEÇÃO 4:¶
Outros, não eleitos, embora possam ser chamados pelo ministério da Palavra (15) e ter algumas operações comuns do Espírito, (16) contudo nunca vêm verdadeiramente a Cristo e, portanto, não podem ser salvos; (17) muito menos podem os homens que não professam a religião cristã ser salvos de qualquer outro modo, (17) por mais diligentes que sejam em moldar as suas vidas de acordo com a luz da natureza e as leis da religião que professam. (18) E afirmar e manter que podem é muito pernicioso e detestável. (19)
Provas Escriturísticas
(15) Mt. 13:14-15; 22:14; At. 13:48; 28:24 (16) Mt. 7:22; 13:20, 21; Hb. 6:4-5 (17) Jo. 6:37, 64-66; 8:44; 13:18; cf. 17:12 (18) At. 4:12; 1 Jo. 4:2-3; 2 Jo. 1:9; Jo. 4:22; 14:6; 17:3; Ef. 2:12-13; Rm. 10:13-17 (19) 2 Jo. 1:9-12; 1 Co. 16:22; Gl. 1:6-8
Esta seção, tomada em conexão com a passagem paralela no C. Maior, q. 60, ensina as seguintes proposições: —
- Que os não eleitos certamente falharão na salvação, não porque uma salvação gratuita não lhes seja disponibilizada se aceitarem a Cristo, mas porque eles nunca aceitam a Cristo; e todos eles se recusam a aceitá-lo porque, embora possam ser persuadidos por algumas das influências comuns do Espírito Santo, a sua aversão radical a Deus nunca é superada pelo chamado eficaz. Já foi provado nas seções 1 e 2 que a graça do chamado eficaz se estende a todos os eleitos, e apenas aos eleitos; portanto, segue-se a verdade desta proposição.
- Que a profissão diligente e a prática honesta nem da religião natural, nem de qualquer outra religião que não seja o cristianismo puro, podem em nada auxiliar para promover a salvação da alma, é evidente pelos princípios essenciais do evangelho. Se qualquer pessoa se conformasse perfeitamente à quantidade de verdade espiritual que lhe é conhecida em cada pensamento e ato, desde o nascimento, por menor que fosse esse conhecimento, ela, naturalmente, não precisaria de salvação. Mas todos os homens, como vimos, nascem sob condenação e começam a agir como agentes morais com naturezas já corruptas. "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Rm. iii. 23. Segue-se, portanto, que uma expiação é absolutamente necessária e, consequentemente, um interesse pessoal na redenção de Cristo é absolutamente necessário para a salvação; pois, se pudesse ter sido dada uma lei cuja conformidade pudesse dar vida, Cristo morreu em vão. Gl. ii. 21; iii. 21. Admitir que os homens podem ser salvos independentemente de Cristo é virtualmente negar a Cristo.
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Que no caso de pessoas adultas sãs, o conhecimento de Cristo e uma aceitação voluntária dele são essenciais para um interesse pessoal na sua salvação, prova-se — (1) Paulo argumenta este ponto explicitamente. Se os homens invocarem o Senhor, serão salvos; mas, para invocá-lo, devem crer; e para crer, devem ouvir; e para que ouçam, o evangelho deve ser-lhes pregado. Assim, a ordem estabelecida é: a salvação vem pela fé, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus. Rm., x. 13–17; Mt. xi. 27; Jo. xiv. 6; xvii. 3; At. iv. 12.
(2) Deus certamente não revelou nenhum propósito de salvar ninguém exceto aqueles que, ouvindo o evangelho, obedecem; e ele requer que o seu povo, como guardião do evangelho, seja diligente em disseminá-lo como o meio designado para salvar almas. O que quer que esteja fora deste círculo de meios santificados não é revelado, não é prometido, não está em aliança. (3) Os pagãos em massa, sem uma única exceção definitiva e inquestionável registrada, são evidentemente estranhos a Deus, e estão descendo para a morte em uma condição não salva. A suposta possibilidade de ser salvo sem o conhecimento de Cristo permanece, após mil e oitocentos anos, uma possibilidade não ilustrada por nenhum exemplo.
PERGUNTAS¶
- De quais dois "chamados" falam as Escrituras?
- Qual "chamado" é tratado na primeira e segunda seções?
- Qual é a primeira proposição aqui afirmada sobre o assunto do chamado interno pelo Espírito Santo?
- O que é afirmado aqui quanto aos seus sujeitos?
- O que é afirmado quanto ao seu agente?
- O que é afirmado quanto ao seu efeito?
- O que é afirmado quanto à sua natureza?
- Como se pode provar que existe tal chamado espiritual interno?
- Como se pode provar que este chamado é essencial para a salvação?
- Prove que ele abrange todos os eleitos e somente os eleitos.
- Até onde se estendem os efeitos das influências comuns e resistíveis do Espírito Santo sobre os corações dos homens em geral?
- Prove que existem certas influências "comuns" e "resistíveis" do Espírito Santo experimentadas por todos os homens.
- Declare a distinção entre regeneração e conversão; e em qual delas o crente é passivo, e em qual ele é ativo?
- Mostre que a regeneração deve necessariamente preceder a conversão.
- Prove que, em relação ao ato de Deus que regenera, somente Deus é o agente e que o sujeito é passivo.
- Prove que, instantaneamente após a sua regeneração, a alma recém-nascida começa a cooperar com as influências do Espírito.
- Prove que o Espírito Santo usa "a verdade" como seu instrumento na regeneração.
- Prove que a influência espiritual exercida na regeneração é, em todos os casos, certamente eficaz.
- Prove que ela é exercida de uma maneira perfeitamente consistente com a natureza do homem como agente livre.
- Mostre que ela opera uma mudança moral "radical" no crente.
- Mostre que esta mudança envolve o homem todo, intelecto e vontade, bem como as afeições.
- O que é pressuposto por parte de todos aqueles a quem o "chamado externo" e os meios de graça são dirigidos?
- Para quem e em benefício de quem são feitas as revelações da vontade de Deus nas Escrituras?
- Mostre que infantes e outros incapazes de receber o chamado externo são regenerados por Deus sem o uso dos meios que são necessários no caso de adultos inteligentes.
- Explique e justifique o uso da frase "infantes eleitos" na terceira seção.
- Qual é a primeira proposição ensinada na quarta seção?
- Qual é a segunda proposição ensinada ali?
- Qual é a terceira proposição ali ensinada?
- Por que os não eleitos falham na salvação?
- Prove que eles infalivelmente falharão.
- Prove que a profissão honesta e diligente da religião natural ou de qualquer outra que não seja a religião cristã não pode valer para salvar os homens.
- Prove que, no caso de todos os adultos inteligentes, o conhecimento e a aceitação voluntária de Cristo são essenciais para a salvação.
[^1] A palavra escriturística é "predestinação". Veja esta interpretação confirmada e historicamente ilustrada em "The Westminster Assembly", Dr. A. F. Mitchell, pp. 398-399.